quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A busca do destino como epopeia

Refletindo sobre o momento atual brasileiro – de crise moral e política – e sobre o tempo de espera inaugurado com o início do Advento, propomos mais um texto da coleção Spirto Gentil, no qual Luigi Giussani nos lembra que “um povo nasce como companhia de homens que se põem juntos à procura do seu destino. E será a visão de um bem comum não genericamente entendido a manter um povo unido: aquilo que dá personalidade a um povo é um ideal, um bem comum como ideal, para além de todos os interesses possíveis e as necessidades a satisfazer”. Para falar dos Cantos Populares Russos, o autor ressalta ainda como eles buscam exprimir “o homem chamado à fé, mesmo que não o saiba”.






Por Luigi Giussani

O aspecto mais significativo para mim dos cantos populares russos é que eles nunca são o produto de um fenômeno individualista, mas fazem sempre referência a um acontecimento que tem como sujeito a pessoa como parte de um povo [1]. Aqui está, de fato, a diferença profunda entre indivíduo e pessoa: a pessoa é um indivíduo na medida em que pertence a um povo, isto é, a um pedaço de história paradigmático, no qual todo o fenômeno da história se realiza em um segmento circunstanciado de tempo e de espaço. Um povo nasce como companhia de homens que se põem juntos à procura do seu destino. E será a visão de um bem comum não genericamente entendido a manter um povo unido: aquilo que dá personalidade a um povo é um ideal, um bem comum como ideal, para além de todos os interesses possíveis e as necessidades a satisfazer.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Tempo de espera, vigilância, paciência e esperança

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O tempo do Advento ou tempo da espera da vinda de Deus na carne, é um tempo litúrgico que tem a finalidade de nos estimular a experimentar a espera, aprender a vigilância (ou seja, a prestar atenção nas coisas que vivemos), a ter paciência e confiar com esperança que o Senhor conduz firme e completamente a história dos seres humanos, trabalhando divinamente (como Ele sabe fazer) a nosso favor.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Hannah Arendt, 110 anos


No último dia 20 de novembro, o jornal O Estado de São Paulo publicou, em sua sessão "Opinião", um texto do jurista Celso Lafer, que foi ministro das Relações Exteriores no Governo Collor. No artigo, intitulado "Hannah Arendt, 110 anos", Lafer mostra como o tempo confirmou a fecundidade da reflexão arendtiana. Propomos a leitura desse artigo.

Por Celso Lafer
Decorridos 110 anos do nascimento de Hannah Arendt, existe generalizado consenso, nos mais diversificados quadrantes culturais, sobre a importância e o significado da sua reflexão para o entendimento e análise do mundo atual. Por isso se pode dizer que ela adquiriu o status de um clássico, cuja obra nunca termina de dizer aquilo que tem para dizer, para recorrer à formulação de Italo Calvino. Daí o número crescente de livros dedicados à sua obra que adensam anualmente, a partir de distintas perspectivas, a bibliografia arendtiana.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cláudio Pastro: oblato beneditino

A afiliação de Cláudio Pastro, Irmão Martinho, como oblato beneditino, no Mosteiro Nossa Senhora da Paz

Por Ir. Martha Lúcia Ribeiro Teixeira, OSB [1]


Era o dia 21 de julho de 2004, um dia lindo e frio de inverno, em que tivemos a bela celebração dos 30 anos de fundação do nosso Mosteiro Nossa Senhora da Paz. Quem viera presidir a nossa Celebração Eucarística tinha sido Dom Arquiabade Emanuel D’Able do Amaral, na ocasião, Abade Presidente da Congregação Beneditina do Brasil. Nosso amigo, irmão e benfeitor Cláudio Pastro aqui estava, com um grupo de amigos do Mosteiro. Após o almoço fui ao encontro deles, que conversavam do lado de fora, ao sol. Uma pergunta me ardia no coração... e ao aproximar-me do Cláudio lhe perguntei “à queima roupa”: Cláudio, por que você não se torna oblato de nosso Mosteiro? A resposta veio, também, imediata: Sim, com muita alegria! Já desejava isso há tempos!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Terremotos e civilizações

 

Nos últimos meses, fortes terremotos devastaram amplas regiões da Itália central. Se o primeiro evento sísmico, do dia 24 de agosto, foi amplamente noticiado pelos jornais brasileiros pela perda de elevado número de vidas humanas, os demais também graves tremores – ocorridos nos meses de outubro e novembro – foram informados muito rapidamente. Nenhum aceno foi feito à gravíssima perda do patrimônio histórico-cultural, social, artístico e religioso, que ocorreu e ainda está ocorrendo. Buscando superar este descaso, tentamos aqui ilustrar a importância das regiões atingidas para a tradição cultural do Ocidente, sobretudo para suas raízes cristãs.