sábado, 30 de janeiro de 2016

Uma gratidão que constrói história: a vida de Arthur George Weidenfeld


Recentemente, morreu em Londres, aos 96 anos, Arthur George Weidenfeld, judeu que escapou na juventude do extermínio nazista e que, recentemente, tomou a decisão de doar tempo e dinheiro para o resgate dos cristãos perseguidos do Estado Islâmico (EI) na Síria.
Nascido em Viena, em 1919, chegou à Inglaterra em 1938. Ainda lutando para alinhar algumas palavras em inglês, Weidenfeld rapidamente se tornou uma das figuras mais importantes do mundo social e intelectual do país. Foi comentarista político durante a Segunda Guerra Mundial na BBC e assessor do governo israelense em 1949. No mesmo ano fundou a editora Weidenfeld & Nicolson da qual foi presidente até o final da sua vida. Com sua marca registrada, publicou no Reino Unido sucessos notáveis como Lolita de Nabokov, e as  memórias de vários líderes mundiais, dentre os quais João Paulo II. Foi  nomeado cavaleiro em 1969 e entrou na Câmara dos Lordes em 1976, recebendo inúmeras outras honras.
Tudo isto não teria sido possível sem os cristãos, ele mesmo reconheceu. Foram alguns cristãos que, de fato, salvaram sua vida trazendo-o para a Inglaterra durante o Holocausto. “Eu tinha uma dívida para pagar”, disse ele. E é por isso, por gratidão, que Lorde Weidenfeld dedicou os últimos meses de sua vida para o desenvolvimento e financiamento do projeto Safe Havens, uma rede judaico-cristã, que tem como objetivo ajudar grupos de famílias cristãs que vivem em regiões sob o controle do EI. Este projeto trouxe cerca de duas mil famílias, ou dez mil almas para locais seguros onde elas, hoje, podem levar uma vida cristã, contando com o apoio organizativo e econômico da rede Weidenfeld.
O presidente do Congresso Mundial Judaico Ronald S. Lauder descreve Weidenfeld como “um homem verdadeiramente extraordinário, uma das figuras mais inspiradoras do século XX”.
Weidenfeld contou sua história e a decisão importante de fundar esse projeto de resgate de cristãos perseguidos em diversos jornais ao redor do mundo. Em entrevista à Deutsche Welle explicou que sua dívida “a pagar” para com os cristãos na verdade era uma dívida dupla. Em sua vida, na verdade, tinha havido não apenas os “anjos” que o salvaram das câmaras de gás de Hitler: “Eu tive o privilégio de fazer parte de um grupo que participava anualmente em um fim de semana prolongado na residência de João Paulo II em Castel Gandolfo”. Esse grupo era composto por 25 intelectuais e acadêmicos judeus e cristãos, e teve “esta maravilhosa oportunidade de conhecer o homem que cunhou a frase: ‘Os judeus são os irmãos mais velhos de cristãos’. O Papa dizia assim o que eu sempre senti que nós e os católicos somos: irmãos”.

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